De repente eis que me sinto em uma gaiola.
Movimentos limitados, voz embargada
Pensamentos em frangalhos, problemas, di-
culdades, como folhas caem dos galhos.
Num momento de entorpecimento
paraliza-se o pensamento
estonteando, tento apalpar as paredes, que
fogem de minhas mãos
O mundo parece girar,
não sei se estou na terra, ou no ar
ou até mesmo no mar.
no mar das lágrimas que caem do meu rosto
e molham meus pés inertes, que sequer se
movem no sentido de defesa.
Descubro. Posso falar, posso escrever,
sinto-me como um pássaro
imagino-me com um par de asa: vôo.
Meu expressar sobe e desce ladeiras, atravessa
paredes, me sinto finalmente livre
Tudo parece ser sonhos.
Mas de repente uma pedra me atinge, palavras
mal ditas, me ferem mortalmente,
acordo , termina o sonho,
volto prá dentro da gaiola, fui amordaçado
não posso falar, não posso correr........
Geraldo Mariano.
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